Entre os jardins mais emblemáticos da Índia, poucos carregam tanto prestígio quanto o Makaibari Estate, fundado em 1859 em Darjeeling. Reconhecido como o primeiro jardim de chá biodinâmico do mundo e pioneiro em práticas sustentáveis, o Makaibari é um verdadeiro ícone do Darjeeling Tea, considerado por muitos o “champagne dos chás”.

O nascimento do Makaibari

A história do Makaibari começa em meados do século XIX, quando a Companhia das Índias consolidava o chá como uma das principais riquezas da região. Fundado em 1859, o jardim tornou-se referência não apenas pela qualidade de suas folhas, mas também pela inovação.

Décadas depois, sob a liderança visionária de Rajah Banerjee, Makaibari foi o primeiro jardim de chá do mundo a adotar a agricultura biodinâmica, combinando práticas orgânicas com respeito à biodiversidade local.

Essa escolha não foi apenas agrícola: foi também cultural e social. O Makaibari sempre se destacou por valorizar a comunidade que vive e trabalha no entorno, criando um modelo de produção integrado à vida local.

O que é o chá Darjeeling?

O Darjeeling Tea é cultivado nos sopés do Himalaia, entre 600 e 2.000 metros de altitude. Seu terroir é único: clima fresco, neblinas constantes e solos ricos criam condições ideais para folhas de chá delicadas e aromáticas.

Ele é classificado como um chá preto, mas seu perfil sensorial é muito mais sutil que o de outros pretos indianos como Assam. Muitas vezes, lembra um chá verde ou mesmo um vinho branco, com aromas florais e frutados.

O Darjeeling é colhido em “flushes” (safras):

  • First Flush (primavera) – leve, floral, de cor clara.
  • Second Flush (verão) – mais encorpado, com notas de uva moscatel, considerado o mais prestigiado.
  • Autumnal Flush (outono) – mais suave e arredondado.

Esse perfil refinado fez com que o Darjeeling ganhasse a alcunha de “champagne dos chás”, sendo protegido por denominação de origem, como acontece com vinhos de prestígio.

O prestígio do Makaibari

Entre todos os jardins de Darjeeling, o Makaibari se destaca por diversas razões:

  • Foi o primeiro jardim de chá biodinâmico do mundo, certificado em 1988.
  • Produziu lotes de Darjeeling leiloados a preços recordes, chegando a milhares de dólares o quilo.
  • É conhecido por seus chás de Second Flush, com notas marcantes de uva moscatel e longa persistência aromática.
  • Tornou-se referência internacional em práticas sustentáveis e responsabilidade social.

Um jardim que é também uma comunidade

O Makaibari não é apenas um local de produção de chá: é uma comunidade viva. Mais de 700 pessoas vivem e trabalham ali, em vilarejos integrados ao jardim. Parte da filosofia de Rajah Banerjee sempre foi garantir que o lucro do chá se revertesse também em educação, saúde e qualidade de vida para os moradores.

Essa dimensão humana dá ao Makaibari um caráter único, em que o chá não é apenas produto, mas também símbolo de identidade e dignidade.

Curiosidades que me encantam

  • Fundado em 1859, é um dos jardins mais antigos de Darjeeling.
  • Primeiro jardim biodinâmico do mundo, certificado em 1988.
  • Seus chás Second Flush são os mais celebrados, com notas de uva moscatel.
  • É reconhecido como referência mundial em sustentabilidade e responsabilidade social.
  • A comunidade local faz parte ativa do processo produtivo, criando um modelo exemplar de integração.

O encanto de uma xícara de Makaibari

Beber um chá do Makaibari é experimentar um dos terroirs mais refinados do planeta. O frescor do Himalaia, o perfume das uvas moscatel e a delicadeza das folhas trabalhadas artesanalmente se unem em uma xícara que é, de fato, comparável a um grande vinho.

Para mim, o Makaibari representa o encontro entre tradição, inovação e humanidade. Um jardim que preserva a alma de Darjeeling e projeta o chá indiano como sinônimo de cultura, sofisticação e identidade.