Em minha viagem a Paris, em setembro de 2025, vivi uma experiência que me marcou profundamente. Entre tantas casas de chá históricas, encontrei na Tea Tribes & Co. algo diferente: um espaço que olha para o chá não apenas como bebida, mas como herança cultural, biodiversidade e ritual de bem-estar.

Uma casa dedicada ao chá e às tradições

Ao entrar na Tea Tribes & Co., percebi imediatamente que o ambiente era mais do que uma boutique elegante. Cada detalhe, das prateleiras à seleção de blends, reflete uma filosofia: aproximar pessoas, tradições e comunidades através do chá.

A casa adota uma abordagem etnobotânica — ou seja, enxerga o chá e as infusões como expressão viva de saberes ancestrais. Trabalham lado a lado com comunidades eslavas, povos maias, curandeiros e botânicos, em lugares que vão da África ao Japão, da Sibéria à Guatemala.

Essa relação direta com quem cultiva e preserva tradições faz com que cada infusão conte uma história: folhas inteiras, frutas secas ao sol, raízes colhidas em florestas geladas, saberes transmitidos de geração em geração.

O manifesto que inspira

No manifesto da Tea Tribes, um exemplo me chamou a atenção: durante o rigoroso inverno siberiano, comunidades da Taiga preparam uma infusão com agulhas de pinheiro, raízes de maral e groselhas vermelhas. A prática é ancestral, os ingredientes são naturais, e os benefícios, comprovados — um estímulo ao sistema imunológico em tempos de frio intenso.

Para eles, a sabedoria está no que está próximo. Como diz o provérbio citado pela casa: “se você não encontra o remédio certo a menos de 50 metros de onde está, é porque não procurou o suficiente”.

É esse espírito — de ouvir, aprender e preservar — que a Tea Tribes busca transmitir em cada chá.

O encontro com Jean-Luc Foucher-Créteau

Minha visita foi ainda mais especial porque tive a oportunidade de ser atendida pelo próprio Jean-Luc Foucher-Créteau, fundador da Tea Tribes & Co. Sua trajetória é tão inspiradora quanto a filosofia da casa.

Ele passou a infância no México, viveu na Dinamarca, na Turquia e na Rússia, e viajou o mundo em busca de encontros, culturas e tradições. Como ele mesmo descreve, foi desse estilo de vida nômade que nasceu sua convicção: a diversidade cultural é tão essencial quanto a biodiversidade natural.

Jean-Luc acredita que preservar comunidades e seus saberes é uma forma de manter vivo um patrimônio humano em risco de desaparecer. E escolheu o chá como campo para essa missão.

Conversar com ele foi como beber um gole de história viva: simples, generoso e ao mesmo tempo cheio de profundidade.

Uma nova forma de pensar o chá

O que mais me encantou na Tea Tribes & Co. foi a sensação de que cada infusão é, antes de tudo, um ato de partilha. Não se trata apenas de buscar qualidade em folhas de chá, mas de respeitar e valorizar o modo como diferentes povos vivem, cuidam de si e transmitem suas tradições.

Essa filosofia se traduz na própria promessa da casa: “seguir as correntes do chá para compartilhar seus maiores benefícios”.

Uma lembrança de Paris

Saí da Tea Tribes & Co. levando comigo mais do que chás finos e aromas inspiradores. Levei a lembrança de uma filosofia que enriquece o universo do chá com algo raro: humanidade.

Esse foi um dos momentos mais marcantes da minha última viagem a Paris — um encontro que me lembrou que, mais do que uma bebida, o chá pode ser ponte entre culturas, povos e pessoas.